terça-feira, 14 de dezembro de 2010

MONSENHOR ANTONIO TABOSA BRAGA - BIOGRAFIA

Itapipoca teve a glória de ser o seu berço natal, onde veio ao mundo em data de 19/12/1874, tendo falecido em Fortaleza, depois de longo e profícuo apostolado, aos 12 de abril de 1935. Segundo o testemunho pessoal do Sr. José Militão de Albuquerque, Monsenhor Tabosa ordenou-se em novembro de 1898, na capital da Paraíba, porque o Pe. Júlio Simon, então reitor do Seminário de Fortaleza, disse-lhe, quando ele cursava o primeiro ano de Filosofia, não ter ele vocação para o sacerdócio.
Com a renúncia do Pe. Plácido Alves de Oliveira, foi nomeado vigário da Matriz do Carmo, em 2/10/1921, tendo escolhido como seu coadjutor o conceituado Cônego José Alves Quinderé, que se tornou uma espécie de chefe de relações públicas da Matriz do Carmo, atraindo os ricos, os poderosos e os intelectuais para o convívio benfazejo da Religião de Cristo.
Monsenhor Tabosa foi um sacerdote completamente desprendido das cousas terrenas, portador de um acendrado zelo apostólico que muito o assemelhava a São Paulo. O seu paroquiato foi movimentadíssimo, pródigo mesmo de excelentes obras religiosas e sociais. Devotou um cuidado especial à catequese, mantendo com esmero, durante a noite, o ensino religioso para os homens e as domésticas. Tinha uma devoção toda especial ao SS Sacramento, cujo tríduo era a festa mais pomposa de sua igreja.
Espírito ardoroso e decidido, trabalhador e combativo, impôs-se como apóstolo da Boa Imprensa e da Ação Católica, sendo ainda um grande amigo e um defensor intemerato da juventude. Tornou-se célebre a sua frase: “Corromper a mocidade é ferir a Pátria em pleno coração”. Jamais transigiu em questão de fé e de costumes e era duma sinceridade cortante, quando defendia, ardorosamente, os seus princípios democráticos e cristãos.
Foi diretor da União dos Moços Católicos, onde abordava, com decisão e entusiasmo, os mais palpitantes problemas sociais da época, combatendo de frente o Comunismo, que já procurava estender os tentáculos em terras brasileiras, sobretudo entre a juventude e a classe operária.
Como conferencista prendia, com as suas palavras candentes, o auditório, pelo brilho refulgente de suas idéias e pela convicção com que explanava os mais variados assuntos.
Foi um verdadeiro caixeiro-viajante do jornal católico “O Nordeste”, pois saia constantemente pelos sertões cearenses angariando assinaturas, o que explica o motivo por que durante o seu paroquiato foi ali substituído por Frei Casimiro O.F.M., pelo Pe. Pedro Vermeuller e pelo seu grande amigo Monsenhor João Alfredo Furtado, os quais sentiam dificuldades em manter acesa a sarça ardente de sua vida apostólica.
Educador nato, foi responsável pela formação intelectual de respeitáveis vultos da Histórioa do Ceará, como o Senador Meneses Pimentel, o Dr Antonio Pimentel e o professor Otávio Farias.
As Vocações Sacerdotais constituíram uma da smetas mais visadas do seu ardente apostolado.
Apesar de seu zelo absorvente por tantas obras espirituais, ainda achou tempo de fazer algumas reformas no corpo da igreja do Carmo, sendo responsável pela abertura das arcadas laterais do referido templo.
A Santa Sé, reconhecendo a grandeza de sua vida devotada à religião de Cristo, o agraciou com o título de Protonotário Apostólico, em 1934. Ocupou também o cargo de vigário-geral da Arquidiocese de Fortaleza. Tão grande era o seu ardor evangélico que pediu, contra a vontade de D. Manuel da Silva Gomes, a sua exoneração de párocodo Carmo, para dedicar-se, como dizia ele na petição, “exclusivamente às obras religiosas e sociais”.
Reza a história e a tradição que o monsenhor Antonio Tabosa Braga foi, sem dúvida, o maior levita do senhor, na Terra da Luz, nos últimos cinqüenta anos da vida religiosa de nosso povo.
Maior do que ele somente o egr´egio apóstolo sobralense Pe. José Antonio de Maria Ibiapina que, ao termo de 30 anos de missionário no Ceará, na Paraíba, no rio Grande do Norte, no Piauí e em Pernambuco, veio a falecer aos 76 anos, com todas as marcas de santidade.


FONTE: A MATRIZ DO CARMO E SEUS VIGÁRIOS -SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA ECLESIÁSTICA DO CEARÁ – EDMÍLSON PINHEIRO, POSTADO NA REVISTA DO INSTITUTO DO CEARÁ , PÁGINAS 196 E 197. (ANO 1965)

Um comentário:

Marcelo disse...

desculpem a sinceridade, mas acho o nome de ARRAIAL DA TELHA muito mais bonito do que MONSENHOR TABOSA. Sem contar que o religioso ANTONIO TABOSA não teve qualquer contato com o local que levaria posteriormente seu nome. Não estabeleceu vínculos nesta terra.