segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

QUANDO COMEÇOU O INVERNO - FILGUEIRAS LIMA

Quando começou o inverno


Nem uma nuvem pelo céu!
E os olhos ansiosos do caboclo
lera, nas impassibilidade do infinito,
o terrível destino do cearense!
Chupou no cachimbo longamente
e, depois, lá se foi
pela estrada poeirenta,
assobiando qualquer coisa que dizia — Esperança.

Mas, noutra manhã, ao despertar,
o sertanejo escutou,
de sua rede de algodão,
a polêmica dos sapos na lagoa,
a cantiga da chuva nos caminhos
e o choro alegre dos rios nos grotões...
E quando, da porta de sua casa pobre
— para mim muito mais rica do que um templo! —,
ele viu a vegetação ressuscitando
e as árvores engalanadas de folhas verdes,
pôs a enxada no ombro,
beijou os filhinhos e a esposa
e seguiu para a roça, alegremente,
a cantar qualquer coisa que dizia — Felicidade!


(A terra molhada pela chuva
tinha o cheiro das mulheres do sertão...)

Um comentário:

Evandro disse...

Excelente texto. Lembro do tempo de criança morando no interior e vendo a chuva cai sobre a terra seca.