quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MEMORIAL TABOENSE I - DAVI CAPISTRANO DA COSTA

APESAR DE DAVI CAPISTRANO TER NASCIDO EM JACAMPARI ( DISTRITO DE BOA VIAGEM VIZINHO A MONSENHOR TABOSA), VEIO PARA NOSSO MUNICÍPIO AINDA CRIANÇA PARA MORAR E ESTUDAR. PORISSO É CONSIDERADO COMO UM TABOENSE. VAMOS PROCURAR RESGATAR UM POUCO DA HISTÓRIA DESSE CONTERRÂNEO.

DAVI CAPISTRANO DA COSTA

(1913-1974): Nome completo David Capistrano da Costa. Nasceu no Ceará. Dirigente do Partido Comunista Brasileiro - PCB. Participou do Levante de 1935, como sargento da Aeronáutica, sendo expulso das Forças Armadas e condenado, à revelia, pelo Estado Novo, a 19 anos de prisão. Participou da Guerra Civil Espanhola como combatente das Brigadas Internacionais e da Resistência Francesa, durante a ocupação nazista. Preso em um campo de concentração alemão, foi libertado e regressou ao Brasil em 1941. Em 1945 foi anistiado e, em 1947, eleito Deputado Estadual em Pernambuco. Entre 1958 e 1964 atuou na política pernambucana e dirigiu os jornais "A Hora" e "Folha do Povo". Com o golpe militar, entrou na clandestinidade e asilou-se na Checoslováquia, em 1971. Retornou ao Brasil em 1974, atravessando a fronteira em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, em um taxi. David Capistrano foi seqüestrado no dia 16 de março de 1974, no percurso entre Uruguaiana e São Paulo.
Fonte: MOVIMENTO TORTURA NUNCA MAIS



"Sobrinho de Manuel Valdivino, DAVI começou, profissionalmente, na loja, do tio, de onde se mudou para o Rio de Janeiro.
Ingressou na Aeronáutica e, no posto de cabo, envolveu-se na Intentona Comunista de 1935.
Com o insucesso da revolta, Davi asilou-se na Argentina, de onde, foi para a Espanha, lutando ao lado das forças comunistas, no posto de Capitão.
Com a vitória das forças franquistas, na Espanha, Davi fugiu para a França, onde, lutou ao lado dos Maquis, contra as forças alemãs.
Anistiado em 1945, voltou ao Brasil e passou a dirigir um jornal em Recife, chegando a se eleger deputado estadual, pelo Partido Comunista, cujo mandado foi, posteriormente, cassado
Por alguns anos, viveu na clandestinidade,
Preso, quando da Revolução de 1964, teve sua liberdade, juntamente, com a de vários outros contra-revolucionários, trocadas pela do embaixador suíço, que fora sequestrado.
Refugiou-se na Tchecoslováquia e ao tentar voltar, clandestinamente, ao Brasil, desapareceu, sendo anos depois dado como morto.
Davi foi um vulto de destaque no Partido Comunista Brasileiro e no Comunismo Internacional
Era amigo de Carlos Prestes e, segundo Tarcísio Leitão, era consultado e ouvido por Mao TSE Tung.
Seu filho, Davi Capistrano Filho, médico, foi prefeito de Santos - SP.

                                         Dr Helder Mesquita"

MAIS SOBRE DAVI CAPISTRANO:


David Capistrano da Costa
Ficha Pessoal
Dados Pessoais
Nome: David Capistrano da Costa
Cidade:
(onde nasceu)
Boa Viagem
Estado:
(onde nasceu)
CE
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
16/11/1913
Atividade: Militar
Dados da Militância
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista Brasileiro PCB
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Enéas Rodrigues da Silva
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
16/3/1974
Brasil
Clandestinidade
Dados da repressão
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil
Biografia
Documentos
Artigo de jornal
Anistia pede pelo partisan David. Folha de S. Paulo, São Paulo, 4 out. 1978. Com carimbo do arquivo do DOPS. O Movimento Matogrossense pela Anistia e Direitos Humanos enviou uma carta para o então presidente da França, Valery Giscard D'Estaing, pedindo para ele intervir junto ao governo brasileiro no sentido de obter informações sobre o desaparecimento de David Capistrano. O motivo para este pedido para o presidente francês vem do fato de David ter participado da Resistência contra a invasão alemã, durante a Segunda Guerra.

Artigo de jornal
Auditoria da Marinha absolve acusados do PC. Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 set. 1978. Com carimbo do arquivo do DOPS. O Conselho Permanente de Justiça absolve, por prescrição da ação penal, Luiz Carlos Prestes, Marco Antônio Tavares Coelho, Dimas de Assunção Perrim, João Massena Melo, Elson Costa, Orlando Rosa, David Capistrano, Luiz Inácio Maranhão Filho, Hiran de Lima, Itair José Veloso, Jaime Amorim, entre outros. O Comitê Brasileiro pela Anistia convocou para uma entrevista coletiva os familiares de desaparecidos que constam na lista de absolvidos com a intenção de apelarem junto ao governo no sentido de obter informações sobre o paradeiro de seus familiares.

Artigo de jornal
Líder do MDB pergunta por preso político. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 nov. 1975.Com carimbo do arquivo do DOPS. O líder da oposição na Câmara pediu ao ministro da Justiça a localização de várias pessoas desaparecidas, são elas: David Capistrano, José Salvador Farol, Roberto Mota, Marcio Campos, Alex Versola, Cirineu Martins Cardoso, Marcos Cardoso e José Carlos Silveira. Artigo incompleto.

Artigo de jornal
Familiares fazem apelo ao governo por desaparecidos. Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 set. 1978. Com carimbo do arquivo do DOPS. Familiares de David Capistrano, João Massena e Itair José Veloso fizeram um apelo ao governo para que se pronuncie oficialmente sobre o paradeiro desses e de mais outras cinco pessoas. Segundo Maria Carolina, filha de David, a família recebeu de David um telegrama informando de sua volta ao Brasil em 1974, até então ele estava na Tchecoslováquia, e este foi seu ultimo contato. Desde então a família procura o seu paradeiro entre autoridades governamentais e órgãos de segurança. Massena desapareceu em São Paulo em 1974 e Veloso em 1975.

Artigo de jornal
Hiran Pereira: já de volta, amanhã, de Fernando de Noronha. Jornal do Comércio, Recife, 18 jun. 1961. Informa que por ocasião do fim da greve estudantil Hiran de Lima Pereira, David Capistrano da Costa e Irineu Ferreira, detidos em Fernando de Noronha, seriam libertados.

Artigo de jornal
Exército soltou comunistas. Diário de Pernambuco, Recife, 20 jun. 1961. Informa que, com o fim da greve universitária, o IV Exército soltou Hiran de Lima Pereira, David Capistrano da Costa, Ramiro Justino e Irineu Ferreira, que estavam presos em Fernando de Noronha.

Artigo de jornal
Dep. Barbosa Lima Sobrinho requererá o "habeas corpus". Diário de Pernambuco, Recife, 15 jun. 1961. Informa que o deputado Barbosa será convidado a requerer em Brasília o "habeas corpus" em favor de Hiran de Lima Pereira, Irineu Ferreira e David Capistrano, presos pelo IV Exército durante a greve universitária e que, representantes de órgãos de classe aos quais pertencem os citados irão se reunir com o comandante do IV Exército para solicitar a quebra da incomunicabilidade dos mesmos. No verso do artigo há carimbo da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco.

Foto
Foto original e preto e branco de busto.

Relatório
Documento do DOPS/SP de 21/10/79 com relato feito por informante do setor estudantil sobre o debate político sobre a classe operária, que deveria ocorrer com David Capistrano, até então considerado desaparecido. Segundo o informante, não foi possível notar a presença de qualquer liderança política/estudantil, nem de David.

Relatório
Documento do Serviço de Informação da Delegacia de Ordem Política e Social para difusão entre órgãos da repressão de 02/04/76. Em diligência realizada na residência de Tânia Cruz da Costa, filha de David, foram encontrados recortes de jornais de 1946 e 1952 que relatam as atividades comunistas de David no estados de São Paulo e Ceará.

Relatório
Documento da Divisão de Informações da Polícia Civil de 03/12/81, com histórico de suas atividades no Partido Comunista Brasileiro e condenações pela Justiça Militar, entre 1935 e 1973. Contém também informações de ofícios, relatórios internos, cartas e artigos de jornais encontrados no arquivo do DOPS relacionados às atividades políticas de David no Brasil e às buscas dos familiares pelo paradeiro de David, a partir de 1974, quando este já se encontrava desaparecido. Indica os códigos para a localização dos documentos no arquivo do DOPS.

Relatório
Documento incompleto com carimbo do arquivo do DOPS com informações de reuniões de trabalhadores em Santos e em Osasco. Indica haver como anexos relatórios sobre reuniões, encontros e palestras sobre questões trabalhistas. Um destes é o relatório do DOPS sobre o encontro com tema "A classe operária e os partidos políticos", promovido pela diretoria do Movimento Cultura Popular e apresentado por David Capistrano.

Livro
Comitê Brasileiro de Anistia e Comissão de Familiares de Desaparecidos Políticos Brasileiros - familiares, amigos e ex-militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML). "Onde estão? - desaparecidos políticos brasileiros". 44 p. Possui a foto de Honestino Monteiro Guimarães à capa, presidente da UNE em 1973 e um dos militantes visados pelo regime militar, além da biografia e documentos referentes a outros mortos ou desaparecidos pela repressão de 1968 a 1973. Material produzido por volta de 1983 como homenagem e instrumento de luta para que estes fatos não voltem a acontecer e para que sejam prestadas contas sobre o paradeiro destas e muitas outras pessoas. Inclui transcrição de alguns artigos de jornais sobre desaparecidos políticos e listas com nomes dos desaparecidos e mortos políticos desde 1964.

Termo de declarações
Documento da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo com depoimento de Maria Augusta de Oliveira, companheira de David, de 22/02/91, sobre o período em que David viveu clandestinamente, seu desaparecimento, e a luta dos familiares para encontrá-lo.

Folheto
Documento elaborado provavelmente por familiares, por volta de 1974, denunciando que o seqüestro e o desaparecimento de pessoas presas pela polícia política brasileira não constituem casos isolados. Comunica que a Arquidiocese de São Paulo prepara um dossiê que será enviado ao Vaticano com os nomes e detalhes sobre as prisões arbitrárias e o posterior desaparecimento dos presos. Informa casos de vários desaparecidos, cujos familiares lutam sem sucesso por informações. Cita o desaparecimento precedido de prisão, a 23/02, dos estudantes Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira; a prisão do professor Luiz Ignácio Maranhão em 04/03, presumivelmente pelo delegado Sérgio Fleury e seu posterior desaparecimento; prisão e desaparecimento de David Capistrano, de 60 anos, e José Roman, de 55 anos, acusados de pertencerem ao Partido Comunista Brasileiro (PCB); a prisão, no ano anterior, de Honestino Guimarães, líder estudantil do DCE de Brasília, juntamente com o estudante Humberto Câmara Neto, ambos desaparecidos desde 09/73; o desaparecimento, também nesta época, do deputado cassado em 1964, Paulo Stuart Wright, preso em São Paulo; a prisão dos jovens Alexandre Vannucchi, José Carlos da Mata Machado e Gildo Lacerda e a divulgação na imprensa pelos órgãos de segurança, semanas depois, de suas mortes por "atropelamento" e em "tiroteio com a polícia". Também transcreve alguns trechos da carta enviada ao Ministro da Justiça, Dr. Armando Falcão, em 03/04/74, sobre o desaparecimento de Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, solicitando que seja informado o paradeiro de ambos.

Ficha pessoal
Documento da Polícia Civil de São Paulo com dados pessoais e histórico resumido das atividades políticas e condenações de David Capistrano.

Ficha pessoal
Documento do DOPS, com informações encontradas em ofícios, relatórios internos e artigos de jornal, recolhidas do arquivo do DOPS, sobre as condenações por atividades comunistas pelo PCB e sobre as atividades de familiares e organizações de direitos humanos para a localização de David. Documento incompleto.

Ficha pessoal
Documento sem identificação da instituição, sem data. Ficha pessoal com foto, qualificação e caracteres cromáticos. O documento é uma foto do original. Está pouco legível.

Artigo de revista
Longe do ponto final. Isto É, São Paulo, 8 abr. 1987, p. 24-25. Artigo incompleto. O psicanalista Amílcar Lobo, único membro dos grupos de tortura a reconhecer os crimes cometidos, joga novas luzes sobre as torturas ocorridas nos porões do quartel da Polícia do Exército (PE) e sobre pessoas que estão oficialmente desaparecidas e que foram torturadas neste quartel.

Mandado de prisão
Documento da 7ª Região Militar de Pernambuco, de 23/02/67, solicitando a prisão de Hiran de Lima Pereira e David Capistrano da Costa, entre outros.

Ofício
Informe da Comissão Naval em São Paulo ao DOPS de 21/02/67 que David é o elemento de ligação entre comunistas de São Paulo e Pernambuco. Cita nomes de pessoas de São Paulo que tiveram contato com ele em Pernambuco.

Ofício
Documento da Universidade de São Paulo para difusão entre os órgãos de segurança e governamentais, de 05/11/75, encaminhando cópia do "Comunicado do Grêmio Politécnico acerca das prisões recentemente efetuadas: preso um professor da Poli", publicado 20/10/75. Trata-se de um manifesto sobre a crise social em que o Brasil passa e a repressão, por parte dos órgãos do estado, a quem discorde da ordem vigente. Narra as violências praticadas contra militantes políticos, entre eles David Capistrano Costa.

Ofício
Relatório de informante ao Comissário Supervisor, assinado por Genaro Guimarães, sem data. Traz informações sobre telefonema feito para o jornal pernambucano, Folha do Povo, onde a pessoa pede o endereço de Hiran.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.

http://www.desaparecidospoliticos.org.br/pessoa.php?id=270&m=3
 
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"A família foi dissolvida"
A família Capistrano também foi vítima da ditadura militar. Os problemas começaram a surgir na vida de David Capistrano, desaparecido político e pai do ex-prefeito de Santos David Capistrano Filho, muito antes do AI-5. Capistrano e a família tiveram suas vidas reviradas já no dia do Golpe Militar, em 1º de abril de 1964.
Capistrano era proprietário do jornal "A Hora" em Recife (PE) quando o golpe foi anunciado. "A família foi dissolvida. Meu pai passou a viver na clandestinidade e eu, minha mãe e minhas duas irmãs fomos presos", lembra o ex-prefeito.
Capistrano Filho só reencontraria a mãe e as irmãs em dezembro de 1965. No período em que foi mantido preso num quartel em Recife, ele conheceu os primeiros sinais de tortura psicológica. "Eu tinha apenas 15 anos e fui mantido numa solitária, sem nenhum contato com minha família", desabafa o médico.
A família só voltaria a se reunir, inclusive o pai, em janeiro de 1966, no Rio de Janeiro, onde passaram a residir. David Capistrano, que já tinha mudado a aparência usando bigode e emagrecendo, passou a usar o nome falso de Enéas. Além disso, toda a família era obrigada a agir da forma mais discreta possível. "Não podíamos receber visitas e nem dar o nosso endereço para ninguém", afirma Capistrano Filho.
O cerco começou a fechar para David Capistrano em junho de 1972, período de ditadura mais intenso após o decreto do AI-5. Ele foi para um exílio em Praga, na antiga Tchecoslováquia, onde trabalhou como jornalista na Revista Internacional. "Mas meu pai era muito apegado à família e resolveu voltar ao Brasil".
Porém Capistrano não chegou ao seu destino, tendo desaparecido no trajeto entre a cidade gaúcha de Santa Maria e a capital de São Paulo, junto com um amigo espanhol que o ajudava na viagem. "A certeza da morte do meu pai veio nove meses depois, com a declaração do Governo afirmando que ele continuava exilado em Praga, sendo que já tínhamos informações de pessoas que o abrigaram no Rio Grande do Sul". Mais tarde, ele obteve informações que seu pai e o amigo foram torturados até a morte e que o corpo de Capistrano foi esquartejado e enterrado em pedaços ao longo da Rodovia Rio-Santos.  (Soraya de Souza).

De Maria Augusta, sua companheira:

“David, em 1972, foi para a Europa, uma vez que a situação política do país não permitia sua permanêcencia no Brasil. Desde 1965 sofria perseguições políticas, mas a partir de 1972 não foi mais possível ficar no Brasil. Durante o tempo em que esteve fora do Brasil era difícil manter contato, mas a família sabia que pretendia voltar. Em março de 1974 fomos avisados de que voltaria ao Brasil. Certa manhã, no mês de março, minha filha, Maria Carolina, chegou em casa muito preocupada informando que a família de José Roman havia avisado que David e José Roman haviam saído do Rio Grande do Sul em direção a São Paulo e não se tinha mais notícias deles.

Imediatamente fui à imprensa para denunciar o fato. Somente agora soube pela esposa de José Roman que certo indivíduo que trabalhava em um posto de gasolina contou há pouco tempo que David e José Roman estiveram no posto de gasolina deixando escrito seus nomes em um papel porque desconfiavam que estavam sendo seguidos.

Na mesma ocasião desapareceram Hiran Pereira, Luis Maranhão Filho, João Massena e Jaime Miranda. Os familiares desses desaparecidos começaram a se reunir no escritório do advogado Modesto da Silveira, no Rio de Janeiro, e em seguida outros familiares de desaparecidos nos procuraram e começamos a agir coletivamente. Começamos a procurar movimentos organizados da sociedade, pedindo apoio, tendo conseguido na época que Tristão de Athaíde, furando o bloqueio da censura, publicasse um artigo sobre os desaparecidos. O título era: “Os esperantes”.

Estive em todos os órgãos de repressão em busca de David sendo sempre negada a prisão do mesmo. Em certa ocasião fui ao DOI-CODI da Barão de Mesquita acompanhada da irmã de David, pessoa com grande semelhança física com ele. O oficial que nos atendeu, embora negasse sua prisão e desconhecesse a identidade de sua irmã, traiu-se ao perguntar à mesma se era irmã de David. Tenho certeza pela reação do oficial que ele estava preso na Barão de Mesquita nessa ocaisão.

Naquela época, comentava-se também que vários presos políticos, e entre eles David, estariam no Juqueri (Hospital Psiquiátrico Franco da Rocha). Foi tentada a comprovação desse fato, inclusive por D. Paulo Evaristo Arns, mas nada foi conseguido. Pressionado pelo movimento dos familiares e entidades da sociedade civil, o governo da época divulgou notícia afirmando que David continuava na Europa, não tendo retornado ao Brasil. Meses depois, juntamente com outros familiares e D.Paulo Evaristo, estivemos com Golbery do Couto e Silva, quando foi entregue relatório de cada um dos desaparecidos, sendo que o general Golbery disse aos presentes que analisaria os documentos e daria uma resposta. Tal resposta nunca veio

David foi indiciado em processo o qual, finalmente julgado, o absolveu.

O médico Amílcar Lobo, há pouco tempo, disse a minha filha Maria Carolina, que David foi o último preso que ele assistiu enquanto torturado na Barão de Mesquita. Eu sei que David portava documento em nome de Eneas Rodrigues da Silva.

Algum tempo após o desaparecimento de David, Samuel Dib, em depoimento prestado à policia, descreveu pormenorizadamente a entrada de David no Brasil através da fronteira com a Argentina e sua viagem até São Paulo.”

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