sábado, 14 de maio de 2011

ESTAMOS NO TOPO: QUE PENA, MAS É O QUE SE DIVULGA SOBRE NOSSO MUNICÍPÍO


A quantidade de cidades cearenses em epidemia de dengue cresceu. Agora são 35 os municípios que contabilizam mortes em decorrência da doença ou incidência de casos superior a 300 por 100 mil habitantes, critérios usados pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) para classificar surto epidemiológico. No começo de abril, eram 27 as cidades com epidemia. O levantamento foi feito pelo O POVO a partir dos dados do boletim semanal da dengue, divulgado ontem pela Sesa.


Apesar do crescimento dos municípios com epidemia, o coordenador de Promoção e Proteção à Saúde do Estado, Manoel Fonsêca, diz que não há cidades com “situação fora de controle”. “Está havendo tendência de redução de casos. Ainda não é possível afirmar, mas é possível que a gente esteja saindo da fase crítica”, comenta. A presença dos carros fumacê pode ter contribuído para essa redução, diz Fonsêca.

A quantidade de óbitos, porém, continua preocupando, afirma o coordenador da Sesa. O boletim indica quatro novas confirmações de morte por dengue no Estado. Agora são 39. Três foram em Fortaleza e uma em Monsenhor Tabosa, a 319 quilômetros da Capital, cita o médico. Trinta e um óbitos seguem sob investigação. 17.066 casos da doença foram confirmados até agora. São 7.502 só em Fortaleza, que já tem 15 mortes por dengue hemorrágica e dengue com complicação.

Interior
Monsenhor Tabosa está no topo do ranking de municípios com incidência alta de casos. São 1.537,3 casos por 100 mil habitantes. A coordenadora de atenção primária do Município, Ademária Timóteo Rosa, comenta, entretanto, que o número está caindo. “Trabalhamos com palestras nas praças e em algumas áreas de bairros, associações, sindicatos, mutirões. A gente pensa a longo prazo”, diz. 

Além disso, um projeto do Município prevê premiar cidadãos que cuidem corretamente de casa para combater o mosquito. Ademária cobra mais carros fumacê para Monsenhor Tabosa. “É uma carência. Queríamos ciclos semanais, mas aqui só teve duas vezes. Sentimos necessidade”, comenta.

Em Itapipoca, o empenho de todos garantiu a redução dos casos nas últimas semanas, garante o coordenador de controle das endemias do Município, Assis Siqueira. “Jamais paramos de trabalhar e hoje não temos mais problema de dengue em Itapipoca. Já passou, mas o acumulado do ano repercute”, diz. Em abril e maio, a cidade contabilizou apenas 2 casos. Porém, a incidência ainda é alta: 810. “A população muitas vezes não faz a sua parte”, comenta Assis.

Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA
A epidemia de dengue é um alerta para todos. Constatado o surto, é preciso ampliar as ações de combate ao Aedes aegypti, principalmente para evitar o crescimento de casos graves e, consequentemente, de mortes.

SAIBA MAIS

Os 35 municípios considerados em epidemia são: Acarape, Aiuaba, Aracoiaba, Baixio, Barreira, Barro, Baturité, Caucaia, Chaval, Chorozinho, Crateús, Coreaú, Fortaleza, General Sampaio, Granja, Icó, Itaitinga, Itapipoca, Jucás, Limoeiro do Norte, Maracanaú, Maranguape, Massapê, Mauriti,

Monsenhor Tabosa, Novo Oriente, Ocara, Parambu, Penaforte, Quixadá, Santa Quitéria, São Gonçalo do Amarante, Tejuçuoca, Umari e Varjota.

É constatada epidemia quando são contabilizados mais de 300 doentes por 100 mil habitantes ou quando são registradas morte por Febre de Dengue Hemorrágica (FDH) ou Dengue com Complicação (DCC).

Em Fortaleza, Messejana continua sendo o bairro que registra a maioria dos casos de dengue. Até agora, foram 334 casos.

O número de casos registrados no Ceará até ontem já supera o total de 2010, quando foram 13.143 confirmações.

O médico Manoel Fonsêca cita ainda o aumento da proporção de casos graves. Este ano, para cada caso grave, são 53 casos de dengue clássico. Em 2001, a proporção era de 1 para 383.

Fatores como a circulação simultânea de três sorotipos, a sensibilização da população por infecções anteriores e a super ndemicidade (paciente ser vítima de mais de um sorotipo) aumentam a probabilidade de formas graves e óbitos em decorrência da dengue.
Mariana Lazari
marianalazari@opovo.com.br

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