domingo, 15 de abril de 2012

DOMINGOS CÍCERO TEIXEIRA, O SR. TEIXEIRA





Havia em Monsenhor Tabosa, um comerciante do ramo de tecidos, o Sr Teixeira, cujo nome completo era, DOMINGOS CÍCERO TEIXEIRA. Homem direito e correto, casado com a d. Fransquinha Aurélio e pai do José, do Joaquim, do Manoel e da Maria do Carmo. Primava pela organização e pela ética. Tinha guardado, cronologicamente colecionadas, todas as duplicatas que aceitou e que pagou, durante toda a sua vida comercial, fato que lhe facilitou justificar, que era comerciante, para efeito de aposentadoria, quando de um levantamento feito pelo fiscal do IAPC, Moacir Oliveira.
Jamais foi a Fortaleza ou, à outra praça, fazer compras, por entender que se assim fizesse estaria prejudicando os caixeiros viajantes, a quem cabia intermediar os negócios.

Homem educado, educação do berço, pois, pelas próprias contingências da época, não cursou colégios, punha em prática as regras das boas maneiras, ensinadas nos livros de urbanidade.

Numa certa manhã plúmbea de inverno, estava o Sr Teixeira, em sua loja, papeando com um freguês, da família Epifânio da Volta do Rio, quando adentra o seu estabelecimento, a sua empregada doméstica, trazendo-lhe um copo de gemada, preparada, com toda a dedicação, por d. Fransquinha. Ovos batidos no garfo, leite morno, açúcar e canela.

A jovem colocou o copo sobre o balcão e aguardou que o patrão o entornasse. Ocorre que o Sr Teixeira, num gesto de delicadeza, olhou para o freguês e ofereceu: “- É SERVIDO ?”.

Ouvindo aquilo, o cidadão, mais do que depressa, pegou o copo e afirmando, “já que o senhor enseste”, deglutiu todo o seu conteúdo, deixando o Sr Teixeira na saudade.

TEXTO RETIRADO DO LIVRO MONSENHOR TABOSA E SUAS HISTÓRIAS, CAP. 33, PÁGINAS 243 E 244 – J.HELDER DE MESQUITA

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